domingo, 5 de maio de 2019

Tycocin e Lupochowa

Após sair de Treblinka, seguimos na direção nordeste até Tykocin para conhecer uma realidade bem diferente. Se Varsóvia era a capital da Polônia com cerca de um milhão de habitantes, Tykocin era apenas um povoados como outros tantos neste país plano e agrícola. Na pequena Ticocyn, outrora prosperava uma pequena comunidade judaica, com pouco mais de 2000 almas. Os judeus eram, em Tycocin, 70% da população do lugar. A aldeia era um autêntico "shteitl" próximo à fronteira com a Rússia no leste e com a Lituânia no nordeste.

Chegamos ao shteitl, e visitamos a sinagoga. Um prédio imponente, construído em 1642. Suas altas paredes de concreto branco contrastam com as pequenas e humildes casas de madeira que o cercam. Ainda hoje é possível perceber como funcionava essa próspera comunidade que ali viveu por mais de 500 anos. Conhecemos interior da sinagoga, todo adornado e colorido. Suas paredes trazem textos hebraicos, cuidadosamente pintados, espalhados por todos os cantos.

Interior da Sinagoga de Tykocin

De lá, fomos até o bosque de Lupochowa, nas proximidades da cidade. Marchamos pela tranquila floresta até as clareiras criadas pelos nazistas e onde se encontram enterrados, em uma vala comum, todos os membros da comunidade. Em único dia, 25 de Agosto de 1941, os nazistas levaram todos os judeus da cidade até a floresta, onde foram despidos, fuzilados e atirados nas valas comuns. Em um único dia, 500 anos de vida judaica foram destruídos, sorrisos de crianças silenciados, sonhos e esperanças despedaçados.

No interior da floresta, onde não poderiam gritar por socorro! Mesmo na cidade, quem os ouviria? O mundo preferiu ignorar a dor e a realidade dos judeus. O mundo preferiu ignorar o mal. A floresta, tão pacata e inocente, escondeu esse mal. Apenas 9 pessoas sobreviveram, por destino ou providência, a este massacre. A comunidade de Tykocyn silenciou do dia pra noite. O canto das crianças nas escolas e dos pequenos que frequentavam o cheder. O júbilo de um casamento e o grito do leiteiro. Tudo isso, do dia para a noite, se foi. Ficou apenas o silêncio da ausência e a ausência do silêncio.

Entrando em Lupochowa

Fizemos, então, em meio ao silêncio, uma parada. Lemos relatos dos poucos sobrevivente. Fizemos uma breve cerimônia e cantamos o Hatikva antes de caminhar pela trilha de volta ao ônibus. Nossa próxima parada é o Aeroporto. 

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Embarcados

Já estamos embarcados no último trecho. Nosso voo deve decolar às 12:45 e chegar em POA às 14:55h. Ou seja, em breve estaremos em casa. ...